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O Cerrado

 

O Bioma Cerrado, onde a Amedi centraliza suas atividades, situa-se no Aquífero Guarani, a maior reserva subterrânea de água doce do mundo, e abriga terras riquíssimas e de inestimável valor, região esta profundamente degradada pela ação do homem.

Bioma é o conjunto de fatores bióticos (espécies animais, vegetais e tudo o que tem vida), bem como de fatores considerados abióticos segundo as definições adotadas pelos teóricos (água, ar, materiais rochosos e outros) que integram uma fisionomia e dinâmica de vida identificáveis dentro de um ecossistema (ecossistemas aquáticos, terrestres, etc.).

Considerada a segunda maior formação vegetal da América do Sul, o Cerrado apresenta grande diversidade de materiais rochosos do período geológico pré-cambriano. Se estende por uma área de 2.045.064 km2, atingindo oito estados brasileiros e sendo responsável pelo abastecimento de seis das oito principais bacias hidrográficas do Brasil, dentre elas a Bacia Amazônica, a Bacia do São Francisco e a Bacia do Prata.

Por este motivo, a preservação das suas nascentes deve ser uma prioridade, principalmente por que muitas populações e milhares de espécies encontram-se em dispersão e crítico processo de extinção, alterando de forma grave os ciclos naturais e as perspectivas de vida das populações.

Abrange uma grande variedade de tipos de solo e vegetações que vão desde as matas ciliares ao longo dos rios até o Cerradão de árvores tortuosas graças aos solos marcadamente profundos e de composição ácida e às condições climáticas características de climas tropicais e sub-tropicais, bem assim as matas decíduas (suas folhas caem no período de seca mais intensa ao longo do ano) e as veredas quase inexistentes e que abrigam (ou abrigavam) os buritis, espécies vegetais em extinção.

O Cerrado apresenta formação descontínua em outros biomas como a Caatinga, a Floresta de Pinheiro no sul do Brasil e a Floresta Amazônica, abrangendo cerca de 25% do território nacional.

Nas últimas décadas a expansão agrícola e agropecuária ocasionaram uma alteração profunda dos aspectos naturais do bioma, onde estima-se que resta apenas 7% da cobertura vegetal original, sem falar nas milhares de espécies em extinção, muitas emigrando diariamente de seus habitats pelo desmatamento ilegal, uma realidade alarmante no Brasil.

Levantamento publicado em 2009 pelo MMA e pelo IBAMA em conjunto com o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, identificou um desmate equivalente a uma área de mais de 80.000 km² apenas entre os anos de 2002 e 2008 (praticamente a área de Portugal), o que significa um quadro grave de alteração das condições naturais das matas, dos rios e das espécies naturais, e para o que faz-se importante uma transformação rápida e profunda dos parâmetros de interferência sobre o meio ambiente.

Esta realidade está sendo objeto das mais distintas e complexas alterações danosas que vão desde o desmate ilegal e a indução de inundações de áreas gigantescas para a construção de hidrelétricas, com o aniquilamento de espécies e populações humanas tradicionais, até a alteração genética de sementes realizadas por multinacionais para o fim de esterelizar espécimes da natureza com objetivos comerciais e de plantio, sob a motivação de produzir em grande escala para a alimentação.

Em verdade, estudos científicos divulgados pela Universidade de Brasília demonstram que o desperdício de alimentos no Brasil equivaleria a uma capacidade de abastecimento alimentar capaz de nutrir por mais de duas vezes toda a população.

Segundo dados documentais junto à Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, hoje um dos principais parceiros mundiais para a promoção de projetos de pesquisa para a transgenia no Brasil a despeito das pressões políticas ambientalistas em todo o território contra estas iniciativas, 40% do rebanho de gado presente no país situa-se na savana brasileira, o que associado à produção de grãos para exportação através de um modelo monocultor e ainda com a utilização sistemática de agroquímicos traz profundas consequências para o regime dos rios, para o clima e a manutenção de espécies.

Muitos corpos d'água (rios, lagos, nascentes) encontram-se em processo crítico de contaminação por rejeitos urbanos e agro-pastoris, sofrendo processos de redução e desaparecimento, o que é agravado pelo crescimento desordenado e promíscuo das cidades (um processo histórico intensificado principalmente a partir da década de 60), ocasionando graves problemas no que se refere à carência de abastecimento hídrico e ao desequilíbrio ambiental.

Um fenômeno histórico presente no Brasil, hoje muito mais acentuado principalmente em períodos de transição entre estações secas e chuvosas, são as queimadas naturais, que acontecem há muitos anos e hoje é responsável por problemas críticos também para a própria Administração Pública, seja a nível nacional ou local, a qual não consegue conter incêndios recorrentes em determinadas épocas do ano, objeto de grandes campanhas por todo o país.

Somadas a estas queimadas estão também aquelas de caráter criminoso, responsáveis pela dizimação de diversas espécies vegetais e pela emigração de populações e espécies endêmicas, processo acentuado pela alteração do regime de chuvas e a ocorrência de catástrofes climáticas recorrentes (ventos, tufões, secas endêmicas, dentre outros eventos).

Por fim, uma das piores queimadas é o resultado de hábitos antigos dos agricultores para o 'preparo' do solo, pelo qual queimam a mata, retiram os restos dela e removem a terra, semeando-na, práticas que geram perdas crônicas do potencial bio-genético e de massa orgânica que deveria servir como material riquíssimo em componentes como o nitrogênio e o potássio para a própria agricultura e a manutenção dos ciclos naturais, muito evidente nos métodos de compostagem que adotam uma visão minimamente responsável.

A queimada para o plantio é portanto uma forma irracional utilizada há décadas e responsável pelo deterioramento do solo, e deveria ser objeto de uma fiscalização sistemática não só por parte dos governos, mas principalmente por parte da população, que deve se conscientizar sobre as suas implicações maléficas e fortalecer processos de cultura favoráveis ao invés de induzir o desequilíbrio ambiental, práticas estas que não têm um controle fiscalizatório eficiente no Brasil por força da realidade administrativa e jurídica tardiamente precária, bem assim da propagação de uma cultura do 'todo mundo faz assim'.

A utilização de folhagens e material orgânico para o plantio é uma técnica antiga que agora começa a ser cada dia mais resgatada por agricultores conscientes desta necessidade de transformação dos meios de utilização dos recursos naturais e que estão fazendo o cultivo orgânico planejado através de técnicas permaculturais.

A permacultura retoma métodos antigos e que respeitam muito mais a natureza, como a rotação de culturas para recomposição natural dos nutrientes dos solos, a fabricação de húmus, a criação de minhocários e o replantio de áreas verdes para a criação de ambientes saudáveis. Caracteriza-se por um conjunto de filosofias e técnicas de vida e cultivação do solo, de uso dos recursos e realização de bioconstrução e ,milhares de outras técnicas, abrangendo ainda melhores hábitos de vida e alimentação, que respeitam a saúde humana e os ciclos ecológicos.

Na obra intitulada “Ecologia, Biodiversidade e Conservação”, grupo heterogêneo de especialistas da Embrapa sustentaram que embora o Brasil detenha 18% dos recursos hídricos do planeta, o quadro real do país é o da má distribuição do espaço geográfico e do acesso à água, pelo quê problemas de escassez acontecem há muitos anos em diversas regiões do território nacional, enquanto regiões riquíssimas em água não têm medidas eficazes de proteção e conservação para o futuro.

Esta realidade soma-se à contínua e incessante destruição da Amazônia, diretamente integrada ao Cerrado e onde está presente a maior parte da água e da vida do planeta, e na qual as formações de vida são mais frágeis pela qualidade do solo de característica superficial (típico de zonas equatoriais e sub-equatoriais, como o Saara, onde já existiu uma enorme floresta com caracterísitcas geofísicas semelhantes). O acelerado processo de desmate ilegal objeto de esforços indeléveis do governo brasileiro, de associações e organizações de todo o país, está nos conduzindo a um caminho irreconciliável com a natureza, e para o quê é indispensável uma mobilização profunda e a nível global.

A sobrevivência do Cerrado e dos biomas presentes em nossos ecossistemas depende de ações objetivas da sociedade e de políticas públicas inovadoras em meio ambiente, sem o que corre o risco de desaparecer em função da expansão agrícola, da cultura intensiva de animais para a indústria, da intensificação do plantio de desertos verdes, bem como do uso intensivo de defensivos e agroquímicos, da mineração e destruição continuada das matas nativas.

A biodiversidade do Cerrado se transpõe sob o ponto de vista histórico por um regime pluviométrico regular e dividido em períodos de seca ou chuva, com a ocorrência de incêndios naturais durante a estiagem, fenômeno que acontece há milhares de anos, e que vem se modificando pela devastação das florestas e alterações climáticas. Estes incêndios determinaram padrões de evolução natural resultando em árvores resistentes a queimadas. Elas possuem cascas grossas e raízes profundas, que se adaptam a períodos de seca e resistem moderadamente ao fogo. O tronco e os galhos são retorcidos devido à presença de alumínio no solo, atribuindo um aspecto paisagístico único e exuberante.

Somado às constantes queimadas 'naturais' no Cerrado, as formações vegetais e florestas são drasticamente devastadas para a realização de carvoarias clandestinas, ou através do desmate descomensurado com á própria anuência descomprometida de setores e entes administrativos licenciadores no país, uma realidade muito grave no cenário nacional, com a derrubada de árvores protegidas por lei para fazer carvão, demonstrando a precariedade da atuação político-nacional para a fiscalização das transgressões ao meio ambiente. Trata-se de uma situação praticamente irreversível e a sociedade não pode condescender com os crimes e as irregularidades.

As terras férteis do Cerrado e suas características de solo ácido tornam bastante caro porém fácil a sua correção para a agricultura intensiva principalmente com a utilização de calcário, viabilizando o processo de expansão do modelo monocultor altamente depredatório e com a utilização maciça de agroquímicos, muitos deles proibidos ao redor do mundo.

As matas ciliares (ao longo dos rios, ou seja, praticamente as veias que alimentam os corpos hídricos) raramente são preservadas e os corredores para animais silvestres são ainda mais raros. As águas estão se tornando impróprias em muitos locais, com a recorrente evasão irregular de dejetos de granja e de indústrias em geral despejados sem conhecimento da população em total desrespeito ao meio ambiente. Muito comum é também a ocorrência de licenciamento de sistemas de captação de águas das indústrias e empreendimentos poluidores que não obedecem aos padrões-limite de vazão e conservação dos corpos hídricos e das matas, dentre outros panoramas críticos.

A mensagem é a seguinte: a preservação do Cerrado é urgente. Ajude como for possível, mesmo que seja apenas conversando sobre o assunto com sua família e amigos, economizando a água consumida em casa e dispensando produtos que muitas das vezes não fazem bem à saúde, adotando métodos de alimentação saudável ou plantando uma árvore, amortizando e transformando, seja direta ou indiretamente, o impacto sobre o meio ambiente. Se quiser ajudar ainda mais, cadastre-se no nosso site e participe dos fóruns.

 

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